No contorno das práticas em ESG e às vésperas da realização da COP 30 em Belém neste mês de novembro, o recente Relatório sobre a Lacuna de Adaptação 2025, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) justamente lançado para informar as negociações durante a conferência, conclui que, embora haja melhora no planejamento e na implementação, as necessidades de financiamento da adaptação nos países em desenvolvimento até 2035 serão superiores a US$ 310 bilhões por ano, representando mais de dez vezes os atuais aportes públicos internacionais de financiamento da adaptação.
E olhando para um horizonte ainda mais imediato, também não será alcançada a meta do Pacto Climático de Glasgow que era de duplicar o financiamento público internacional de adaptação para US$ 40 bilhões até 2025, baseando-se nas estatísticas e tendências atuais.
Segundo informa o Secretário Geral da ONU, “os impactos climáticos estão se acelerando. No entanto, o financiamento para adaptação não está acompanhando o ritmo, deixando as pessoas mais vulneráveis do mundo expostas ao aumento do nível do mar, tempestades mortais e calor escaldante”
Segundo dados oficiais, cerca de 172 países têm pelo menos uma política, estratégia ou plano nacional de adaptação em vigor, todavia cerca de 20% possuem instrumentos desatualizados ou que não são atualizados há pelo menos uma década, o que reflete um descompasso na aderência à efetivas práticas para alcance das metas estabelecidas, além do fato de poucos países estarem relatando resultados e impactos reais, que são necessários para avaliar sua eficácia e adequação.
Paralelamente ao financiamento pelo setor público, o relatório estima o potencial realista de investimento do setor privado nas prioridades nacionais de adaptação pública em US$ 50 bilhões por ano, todavia o potencial ainda está distante da realidade cujos fluxos privados atuais giram em cerca de US$ 5 bilhões por ano.
